sexta-feira, 17 de junho de 2011

Gestão do Capital e Risco

Neste artigo tratar-se-á sobre “Gestão de Capital e Risco” e como ela pode e deve ser aplicado a operaçoes de daytrade, curto prazo em açoes e futuros, ou qualquer outro tipo de operaçao em mercado financeiro, onde se ganhe e perca porcentagens da conta total de investimentos:

É provado que 10% do sucesso de um acúmulo de riqueza ao longo do tempo em operaçoes no mercado financeiro se devem aos melhores momentos de comprar e vender e os outros 90% se deve a uma adequada gestão de capital e risco.
Nos casos abaixo, o primeiro não foi utilizado o gerenciamento de capital e risco, e o segundo caso foi.
Caso A
Girando 100% do capital.
Início: 950 reais
Capital utilizado nos trades:100%

Dia 1: lucro de 45% : 1377,50
Dia 2: lucro de 45% : 1997,37

Dia 3: lucro de 45% : 2896,19

Dia 4: lucro de 45% : 4199,48

Dia 5: lucro de 45% : 6089,24

Dia 6: prejuizo de 44% : 3409,97

Dia 7: prejuizo de 34% : 2250,58

Dia 8: prejuizo de 35% : 1462,88

Dia 9: prejuizo de 37% : 921,61
Início: 950,00
Fim: 921,61
Prejuizo de: 3%

OBS: O Trader obteve 45% de lucro em 5 vezes consecutivas e, posteriormente teve 4 prejuizos, todos menores do que 45% e ainda assim terminou perdendo.
Caso B
Utilizando gerenciamento de capital básico: (conceito fixed ratio)
início: 950 reais
f = 156,75 reais

Onde é o capital máximo que será arriscado em cada trade, e varia nesse exemplo em relaçao a capital total , sendo 16,50% do tamanho total da conta do investidor. Aqui o f adotado no exemplo acima é de 16,50%, ou seja R$156,75)
Dia 1: lucro de 45% – +70,54 – total de 1020,54
(f = 168,38) *aumento de f devido a lucro

Dia 2: lucro de 45% – +75,77 – total de 1096,31
(f = 180,89) *aumento de f devido a lucro

Dia 3: lucro de 45% – +81,40 – total de 1177,71
(f = 194,32) *aumento de f devido a lucro

Dia 4: lucro de 45% – +87,44 – total de 1265,15
(f = 208,75) *aumento de f devido a lucro

Dia 5: lucro de 45% – +93,93 – total de 1359,08
(f = 224,25) *aumento de f devido a lucro

Dia 6: prejuizo de 44% – -98,67 – total de 1260,42
(f = 207,97) **reduçao de f devido a prejuizo

Dia 7: prejuizo de 34% – -70,70 – total de 1189,71
(f = 196,30) **reduçao de f devido a prejuizo

Dia 8: prejuizo de 35% – -68,70 – total de 1121,01
( f = 184,96 ) **reduçao de f devido a prejuizo

Dia 9: prejuizo de 37% – -68,43 – total de 1052,57
(f = 173,67) **reduçao de f devido a prejuizo
Início: 950,00
Fim: 1052,57
Lucro de: 10,80%

OBS: O Trader obteve 45% de lucro em 5 vezes consecutivas e, posteriormente teve 4 prejuizos, todos menores do que 45% e devido a gestão de capital otimizada, conseguiu terminar ganhando.
Outros resultados com a variação de f:
Valor Final f
921,61        100%
957,07          1%
984,36          5%
996,13         90%
1015,99        10%
1056,88        80%
1069,94        20%
1091,72        25%
1101,99        70%
1109,74        30%
1130,15        60%
1133,73        40%
1137,66        55%
1140,48        51%
1140,74        50%
Obs: Existem inúmeros modelos matemáticos que servem para quantificar o tamanho da posicao ideal a ser utilizada no proximo trade, de acordo com o risco que se quer correr, com o histórico de ganhos/perdas do investidor, presando o crescimento geométrico da conta de investimentos.
Utilizar mais do que o valor ideal significa que cedo ou tarde o investidor irá quebrar. Utilizar menos que valor adequado não trará ganhos a passos geométricos (juros sobre juros).
Sem algum tipo de gerenciamento desse tipo torna impossível o acúmulo de patrimônio em ambientes de risco.
Nesse caso, f = 50% foi o mais lucrativo.
Valores maiores que 50% pra f não trariam maiores benefícios para a conta. Esse quadro também mostra que, arriscar 90% ou mais do capital (alavancagem) traria prejuizos a passos largos, ou então arriscar uma porcentagem muito baixa não traria o resultado esperado, um crescimento geométrico da conta de investimentos.
Expectativa Positiva

Se o próximo trade “fizer uma grande diferença” na sua conta de investimentos (pra mais ou pra menos), pode ter certeza de que seu controle de risco operacional está falho, e o seu fracasso a longo prazo é certo. Mesmo se voce for vitorioso no trade, essa vitória certamente só vai acelerar a sua ruína pois fará com que voce aumente a confíança na próxima operação.

Nós não escolhemos quando vamos ganhar ou perder, apenas temos nossa metologia operacional onde acreditamos “ganhar mais do que perder“. As perdas existem. São normais. Quem “perde grande” fracassa muito rápido. Todos os vencedores também tem perdas.
O sucesso no mercado vem de uma longa sequencia de trades, ganhadores e perdedores, com balanço positivo (os ganhos são maiores que as perdas) – e um controle de risco eficiente (money management eficiente).
Um grande conselho seria tratar o proximo trade como apenas “mais um” dentre os proximos 100 ou 1.000 que você ainda irá fazer. Vendo a coisa por esse ângulo, aplicar Money Management e controle de risco operacional na sua estratégia ficaria mais fácil.
Não existe sucesso no mercado do dia pra noite. Essa é a maneira mais gananciosa de se trabalhar na bolsa. Se voce tem objetivos audaciosos, utilizar esse tipo de controle de risco é tudo que você realmente precisa. Trabalhar sem controle de risco é para aqueles que fazem do mercado um Cassino ou um Jogo de Azar qualquer.
O que vc precisa é ter Expectativa Positiva (E+).
Resumidamente, Expectativa Positiva é o que devemos ter como condiçao inicial para se operar nos mercados.
O que seria isso?
Suponha que um trader perca 9 em 10 trades.
A probabilidade dele perder é muito maior, porém, ele perde 1% em 9 trades e ganha 10% em 1 trade. Nesse caso ele tem Expectativa positiva, que aliado a um Money management trará lucros consistentes a longo prazo.
Expectativa = probabilidade de ganhar versus perder e/ou tamanho dos ganhos versus perdas.
Caso voce tenha uma metodologia operacional, seja ela qual for, é possivel contabilizar seu histórico de sucesso xfracasso. Não importa se você usa candles, Elliot, Fundamentos, travas diversas, intuiçao, leitura de fita, palpites, astrologia, indicadores diversos, etc.
Você só não vai conseguir ter uma expectativa fixa caso mude de estratégia a cada instante, o que seria também uma forma de “desespero”e “imaturidade” no mercado.
Vamos partir do princípio de que temos “tem uma estratégia operacional muito bem formulada” e acreditamos que ela seja eficiente a longo prazo.
Tudo que nossa estratégia precisa é, no geral, ganhar mais do que perder, isso seria a tal da Expectativa Positiva (E+).
Risco de Mudança de Estratégia Operacional
Vamos definir Estratégia Operacional como o os motivos e regras que geram as ações que o investidor toma em diferentes situaçoes do mercado, seja altista, baxista, de lado, alta volatilidade, baixa volatilidade – como ele abre posiçoes e como fecha posicoes (no lucro ou no prejuizo).
 Exemplo 1:
Spread de alta quando se espera uma alta.
Spread de baixa quando se espera uma baixa.

 Exemplo 2:
Compra e venda quando rompe uma tal Media Movel XYZ de 5 dias.
 Exemplo 3:
Quando os fundamentos estão favoráveis, compra-se a mercado.
Quando estão ruins, vende-se no intradia com finalidade de se zerar posicao até o final do pregao, no lucro.
Vamos supor que, uma dada estratégia operacional é usada.
É até provavel que, essa estratégia, mesmo tendo expectativa positiva (E+), perca em 5 trades consecutivos.
Só que, ao se mudar de estrategia, o investidor “deixa de fazer a estrategia vencedora funcionar a longo prazo”.
Vamos pensar no caso do investidor que tem uma boa estrategia operacional mas um pessimo controle de risco. A longo prazo ele bateria o mercado.
O problema é que, assim que ele começa, entre o 5º e 10º trade, ele tem prejuizos consecutivos. Esse investidor, como nao tem controle de risco, entra alavancado em todas as posicoes do trade 5 ao 10.
Logo depois do décimo trade, desesperado, e com a conta negativa, ele supões que seu problema é sua estratégia operacional e muda seu estilo radicalmente (“agora vou operar travado” – ele pensa – “operar a seco é dose”).
Depois disso, com muito estudo sobre travas, ele passa a fazer operações travadas, e volta a ganhar. É outra estratégia coincidente-mente com E+.
Porém, entre o 15º trade e o 25º trade, ele fica momentaneamente com prejuizo de 40% em sua conta. A estratégia tem expectativa positiva a longo prazo, mas ele não deu “tempo ao tempo” para poder exergar os resultados, e, apostando todas as fichas que tinha em cada único trade, acabou tendo um grande recuo (drawdown) em sua conta.
Se tivesse utilizado um position sizing (dimensionamento de posicoes onde se aumenta a posicao conforme o total da conta aumenta, e diminui-se a posicao conforme o total da conta diminui proporcional-mente, tornando o risco sempre fixo independentemente do tamanho da conta) apropriado, teria sido pequeno nas perdas e teria dado condiçoes para que a Expectativa Positiva (E+) pudesse surtir efeito com o passar do tempo.
O recuo da conta teria sido muito menor, fortalecendo o psicológico do investidor e mantendo-o na estratégia vencedora.
Novamente ele pensa “Mercado de Opçoes é Jogo” e “acho que vou operar papel usando fundamentos, ou quem sabe algum sistema de negociacao que utiliza Analise Tecnica”.
E a história se repete.
O que quero dizer é que, voce só deve mudar de uma estratégia operacional realmente bem formulada, caso tenha certeza de que ela nao tenha Expectativa Positiva, no longo prazo.
Existem formas de se chegar a essa conclusão com o passar do tempo ou analisando seu historico de ganhos e perdas:
Expectativa = probabilidade de ganhar versus perder e/ou tamanho dos ganhos X perdas
Alguns fatores podem ser adicionados a uma metologia operacional, com finalidade de transformá-la em E+ caso ela tenha Expectativa Negativa.
São eles:
 Avaliar as saidas do mercado (como se realizar lucro e prejuizo de uma forma eficiente e constante);
 Drawdown máximo suportado (% máxima da conta que se poderá perder ao longo do tempo depois sucessivos negócios, utilizando uma estratégia operacional, antes de suspender ou reavaliar a estrategia atual);
 Risco máximo por Posicao Aberta em relação ao Tamanho Total da Conta e etc.
Caso haja Expectativa Positiva, o problema de não capitalizar no longo prazo usando essa estratégia é puramente matemático, resolvendo-se com Money Management adequado.
Concluindo, eu não acredito que a E+ seja “o mais importante”.
Voce falhará com E+ ou com E- a não ser que use um controle de risco eficiente para que sua estrategia seja realmente uma E+ a longo prazo.
Ganhar ou perder no próximo trade não define um investidor de sucesso ou fracasso. O sucesso é fruto de muito trabalho, dedicaçao, perseverança e planejamento e se dá a médio e longo prazo.

Considerações de Márcio Noronha sobre Money Management

As partes deste texto foram retiradas do tópico “Considerações Finais” do Curso Completo de Investimento de Márcio Noronha, e achei que é uma visão bem lúcida sobre o investimento no mercado. Conheço muitas pessoas que não conseguem compreender este conceito, e ainda acreditam na análise técnica como uma ferramenta de previsão.

“Em 1986, após vender a minha participação societária na ultima corretora em que trabalhei, decidi me dedicar totalmente ao aprendizado da análise técnica como uma forma de sobrevivência independente.

Porém, na medida em que ia absorvendo novos conhecimentos e colocando-os em prática, meu patrimônio diminuía. Era frustrante! Esta frustração atingiu seu clímax por volta de 1990, quando concluí que, por diversas razões, não sabia operar e decidi criar um sistema mecânico que fizesse isto por mim. Mas, decorridos um ano meio, verifiquei que foi mais uma tentativa inútil.

Não possuía uma estrutura emocional que se sujeitasse aos caprichos do sistema e, como em outras experiências, acabei abandonando, sentindo-me novamente derrotado. Embora tivesse convicção de que poderia viver do mercado, não conseguia ver a luz no fim do túnel.

Embora em 1986 já tivesse traduzido, estudado e editado o livro ‘Timing …’ do Granville, cuja frase de abertura é “O mercado de ações é um jogo”, não estava convencido disso. Na verdade, todos os meus estudos estavam orientados para tentar antecipar os movimentos futuros do mercado. Apenas quando li a Teoria de Adam, pude me dar conta da verdade embutida na afirmação do Granville. Ali, ao perceber que para se projetar o futuro, bastava rebater o passado, e como aquilo funcionava, me dei conta do quanto ele tinha razão.

A partir de então, comecei a ver o mercado de um modo diferente. A palavra chave foi rendição. Render-me à minha ignorância em tentar antecipar seus movimentos para deixar-me levar por eles.

No início não foi fácil aceitar plenamente que a maior parte do que havia aprendido durante anos fosse de pouca ou quase nenhuma utilidade. É difícil abandonara uma crença! Mas, nada como o tempo para trazer a realidade à tona. Pouco a pouco, comecei a acertar mais do que errar e a confiança de que estava no caminho certo foi crescendo.

Dos erros e acertos, fui desenvolvendo uma metodologia operacional própria, ajustada ao meu temperamento e às minhas necessidades.” 

“… (para) aumentar sua cultura técnica, mas para a metodologia, seu significado não representa nada.”

“… deixando de fora as notícias e outras fontes de informações e encarando o mercado como um jogo, fica bem mais fácil concentrar sua atenção naquilo que interessa e desviar sua atenção de fatos que nada têm a ver com a direção do mercado.

Este enfoque facilita tremendamente a aplicação dos estopes de entrada e protetores, desde que tenha realmente se convencido que o mercado é um jogo, pois é preciso que esteja consciente de que ao iniciar uma operação não sabe o que acontecerá com ela.”

“… com um bom método, o mercado pode ser vencido de forma sistemática.”

“Recentemente li um livro denominado ‘Market Wizards’, cujo conteúdo é uma série de entrevistas com traders extremamente bem-sucedidos do mercado americano, onde cada um deles revela sua metodologia operacional. Percebe-se, então, que não existe um método melhor ou pior do que outro, pois todos os entrevistados são profissionais que atingiram um enorme sucesso nas suas carreiras e cada um deles chegou lá por caminhos totalmente diferentes.

Qualquer que tenha sido o caminho de cada um, todos tinham duas coisas em comum: o uso disciplinado de uma metodologia operacional acompanhado de um rígido controle de risco.

Comparando com um jogo de pôquer, embora estivessem sentados na mesa, não apostavam em todas as mãos. Só o faziam quando a mão se adequava à sua metodologia de jogo. Foi mais ou menos isto o que pretendi fazer ao realizar este curso pioneiro onde a técnica da Simetria Sanfonada foi colocada no papel e tomou forma operacional.”

Márcio Noronha, com partes do texto selecionadas por Kenneth Corrêa

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Crise sistémica global 

Confirmação de alerta máximo para o 2º semestre de 2011

– Fusão explosiva entre a desarticulação geopolítica e a crise económica-financeira mundialpor GEAB [*]Desde há mais de um ano, o LEAP/E2020 identificou o segundo semestre de 2011 como um novo momento decisivo na evolução da crise sistémica global. À imagem da nossa antecipação de Fevereiro de 2008, que havia previsto para Setembro desse ano uma grande comoção afectando a economia americana, nossa equipe confirma neste GEAB nº 55 que doravante estão reunidas todas as condições para que o segundo semestre de 2011 seja o teatro da fusão explosiva das duas tendências fundamentais que subjazem à crise sistémica mundial, a saber: a deslocação geopolítica global, por um lado, e a crise económica e financeiro global, por outro.

Desde há vários meses, com efeito, o mundo experimenta uma sucessão quase ininterrupta de choques geopolíticos, económicos e financeiros que segundo o LEAP/E2020 constituem os sinais precursores de um grave acontecimento traumático que analisamos neste número do GEAB.

Paralelamente, a partir deste momento o sistema internacional ultrapassou a etapa do enfraquecimento estrutural para entrar numa fase de derrocada completa em que as antigas alianças se desmoronam enquanto novas comunidades de interesse emergem muito rapidamente.

Finalmente, toda esperança de retomada económica mundial significativa e durável a partir de agora desvaneceu-se [1] ao passo que o endividamento do pilar ocidental, em particular dos Estados Unidos, atingiu um patamar crítico sem equivalente na História moderna [2] .

O catalisador desta fusão explosiva será certamente o sistema monetário internacional, ou antes, o caos monetário internacional que se agravou ainda mais desde a catástrofe que atingiu o Japão em Março último e diante da incapacidade dos Estados Unidos para enfrentar a exigência da redução imediata e significativa dos seus défices imensos.
O fim da Quantitative Easing 2, símbolo e factor da fusão explosiva em preparação, representa o fim de uma época, aquele em que o "US dólar era a divisa dos Estados Unidos e o problema do resto do mundo": a partir de Julho de 2011, o US dólar torna-se abertamente a principal ameaça que pesa sobre o resto do mundo e o problema crucial dos Estados Unidos [3] .

O Verão de 2011 vai confirmar que a Reserva Federal dos EUA perdeu a sua aposta:   a economia estado-unidense de facto jamais saiu da "Muito Grande Depressão" [4] em que havia entrado em 2008 apesar dos milhões de milhões de dólares injectados [5] , como sabe igualmente a imensa maioria dos americanos [6] . Sem poder lançar (mesmo oficiosamente, através dos seus Primary Dealers, como fazia de facto enquanto o mundo não acompanhava muito atentamente o mercado do Títulos do Tesouro dos EUA), o Fed vai portanto contemplar impotente a subida das taxas de juros, a explosão do custo dos défices públicos estado-unidenses, o mergulho numa recessão económica agravada, o afundamento da cotação das bolsas e um comportamento errático do US dólar, evoluindo a curto prazo como dentes de serra, ao sabor das influências destes diferentes fenómenos, antes de cair brutalmente em 30% do seu valor como antecipámos no GEAB nº 54 [7] .

Paralelamente, a Eurolândia, os BRICs e produtores de matérias-primas vão rapidamente reforçar suas cooperações lançando uma última tentativa de salvamento das instituições internacionais saídas de Bretton Woods e do mundo dominado pelo tandem EUA/Reino Unido. Esta será a última uma vez que é ilusório imaginar Barack Obama, que não demonstrou nenhuma envergadura internacional até o presente, faça prova de uma estatura de estadista e assuma grandes riscos políticos a um ano de uma eleição presidencial.

Barreiras, protecções, embargos à exportação, diversificação das reservas, frenesim em torno das matérias-primas, inflação em alta geral, ... o mundo prepara-se para um novo choque económico, social e geopolítico. 

A China acaba de anunciar que interrompeu todas as suas exportações de diesel para tentar travar uma alta do preço do carburante que recentemente provocou uma série de greves dos transportes rodoviários [8] . Que os países asiáticos que dependiam destas exportações chinesas se desenrasquem, tanto mais que o Japão agiu do mesmo modo na sequência da catástrofe de Março último!

A Rússia cessa igualmente de exportar certos produtos petrolíferos para limitar penúrias e altas de preços internos[9] , travagem de exportação que se acrescenta à dos cereais decretado já há vários meses.

Por toda a parte do mundo árabe a instabilidade continua a prevalecer sobre o pano de fundo do encarecimento dos géneros de base [10] , ao passo que as interrogações sobre a dimensão das reservas e das capacidades de produção da Arábia Saudita retornam ao primeiro plano [11] .

Nos Estados Unidos, o mais pequeno acontecimento climático que saia do habitual provoca logo riscos de penúria devido à ausência de "colchões" de segurança do sistema de abastecimento, a não ser que se recorra à contribuição dos stocks estratégicos [12] . Durante este período, a população reduz suas despesas alimentares para poder encher o reservatório dos seus carros com um galão a mais de 4 dólares [mais de US$1,06 por litro] [13] .
Na Europa, a diminuição da cobertura social e as medidas de austeridade extrema postas em prática no Reino Unido, na Grécia, em Portugal, na Espanha, na Irlanda, ... fazem explodir o número de pobres.

A União Europeia acaba de reforçar mais ou menos subrepticiamente seu arsenal aduaneiro para resistir às importações vindas sobretudo da Ásia. Por um lado, ela revê toda a sua panóplia de medidas de preferência alfandegária para eliminar todos os países emergentes, China, Índia e Brasil à cabeça. Por outro, aprovou discretamente no fim de 2010 uma medida que facilita a execução de medidas anti-dumping e de salvaguarda uma vez que doravante uma maioria simples bastará para aprovar uma tal proposta da Comissão ao passo que anteriormente era preciso uma maioria qualificada muitas vezes difícil de reunir [14] .

Paralelamente, os bancos centrais continuam a comprar ouro [15] , a anunciar mais ou menos claramente que diversificam a suas reservas [16] enquanto tomam medidas cada vez mais incoerentes e perigosas, aumentando as taxas para conter a inflação num contexto de economias frágeis ou em recessão, a fim de conter o afluxo de liquidez gerado pela política da Reserva Federal dos EUA [17] . Para parafrasear o título do artigo de Andy Xie, publicado no Caixin de 22/Abril/2011, "A subida da inflação enlouquece os banqueiros centrais" [18] .

Do lado americano, já se está efectivamente no surrealismo mais completo:   no momento em que o país atinge níveis de endividamento insuportáveis, os dirigentes de Washington transformaram esta temática numa questão eleitoralista, como ilustra a questão do tecto de endividamento federal que será atingido a partir de 16 de Maio [19] . As comparações com os anos Clinton abundam na imprensa americana e financeira internacional, quando um problema do mesmo tipo se havia colocado sem grandes consequências. Visivelmente, uma parte importante das elites estado-unidenses e financeiras ainda não integraram o facto de que, ao contrário dos anos 90, os Estados Unidos de hoje são vistos como o "homem doente do planeta" [20] que com cada sinal de fraqueza ou de incoerência grave pode desencadear pânicos incontrolados.

Banqueiros centrais em loucura, líderes mundiais sem mapa do caminho, economias em perigo, inflação em alta, divisas em perdição, matérias-primas frenéticas, endividamento ocidental descontrolado, desemprego no mais alto nível, sociedades estressadas, ... não há dúvida, a fusão explosiva de todos estes fenómenos será certamente o acontecimento marcante do segundo semestre de 2011! 

(1)Telegraph de 05/05/2011 apresenta uma lista interessante das 10 razões que provam que a economia mundial está novamente a afundar-se.

(2) Conforme recomendamos desde há mais de três anos, o cálculo dos grandes indicadores econômicos descontando o efeito dólar dá uma visão do mundo muito diferente dos indicadores calculados em dólar. Assim, enquanto calculadas em dólar, as estimativas da ultrapassagem dos Estados Unidos pela China remetem para datas em 2030, 2040 e mesmo 2050, o FMI estima em 2016 ... ou seja, quase hoje desde que se faça abstracção deste "padrão" que muda todos os dias!

(3) Sinal dos tempos: o Financial Times, apesar de especializado em manchetes sobre o fim do Euro desde há mais de 18 meses, publica em páginas internas (mais discretas) um artigo de 11/05/2011 intitulado "O dólar enfrenta um perigo muito mais grave que o euro". Enquanto The Age e o Wall Street Journal de 23/04/2011 consideram que a economia estado-unidense doravante está quase na mesma situação que a da Grécia.

(4) A ilustração mais flagrante do prosseguimento desta "Muito Grande Recessão", como a denominámos há quatro anos, é que a crise do imobiliário recomeçou mais pujante. Os preços estão em vias de ultrapassar novamente os "pisos" atingidos em 2009, mergulhando dezenas de milhões de americanos em situações económicas e financeiras dramáticas. Mesmo os mais optimistas não vêm o fim da queda antes de 2012. Ora, como já explicámos no GEAB anterior, o imobiliário é o terreno sobre o qual foi construída toda a estimativa do valor actual da economia estado-unidense. A continuação do afundamento do preço do imobiliário é a continuação da depressão económica. Fonte: MarketWatch , 09/05/2011

(5) A sociedade de análise econômica Fathom calculou que os quatro principais bancos centrais mundiais (Fed, BCE, Banco do Japão e Banco da Inglaterra) injectaram directamente US$5000 mil milhões na economia mundial durante os anos 2008-2010 (isso não inclui as recentes injecções maciças japonesas pós-catástrofe, nem todas as medidas de garantia de todo gênero que acompanharam estas medidas). Isso representa aproximadamente 10% do PNB mundial com o resultado que se conhece: um endividamento público gigantesco, um endividamento privado que realmente não diminuiu e economias que apenas progridem ou estão novamente em recessão. Fonte: Telegraph , 26/04/2011

(6) 80% dos americanos considerm que a economia vai mal. Só 1% pensa que ela vai muito bem (eles devem trabalhar na Wall Street). Fonte: CNNMoney , 09/05/2011

(7) O fim da QE2 significa que o mercado dos Títulos do Tesouro dos EUA de facto já não tem mais compradores (uma vez que o Fed compra o essencial dos Títulos do Tesouro emitidos desde o fim de 2010 (pelo menos); o que, a propósito, torna completamente surrealistas os artigos e análises actuais sobre a colocação das emissões de Títulos do Tesouro dos EUA. É a evidência da "iliquidez" efectiva do mercado dos Títulos do Tesouro, quando a sua própria importância está condicionada ao seu estatuto de mercado mais líquido do mundo, que desempenhará o papel de transmissão entre o QE2 e a queda do dólar, pois esta situação implicará uma aceleração brutal da saída dos operadores para foram do mercado dos T-Bonds, principal activo denominado em dólares. O fenómeno provocará num primeiro momento uma necessidade agravada de dólares US, depois muito rapidamente uma oferta excessiva de dólares à venda. É o timing destes dois fenómenos que vai condicionar a evolução da divisa estado-unidense em relação às outras grandes divisas e ao ouro no decorrer do segundo semestre de 2011.


(8) Fonte: BusinessInsider , 14/05/2011

(9) Fonte: France24 , 28/04/2011

(10) A respeito disso, a informação de como o fundador da ex-sociedade de mercenários BlackWater foi recrutado pelos Emirados Árabes Unidos para constituir um exército de mercenários destinado a proteger o país de qualquer ataque externo ou tumulto interno, ilustra a instabilidade crescente das monarquias petrolíferas e o fim da confiança na protecção americana. Dito isto, confiar em mercenários ocidentais é uma grande prova de ingenuidade, ou então de desespero. Fonte: New York Times, 14/05/2011

(11) Fonte: Le Monde , 25/04/2011

(12) Último exemplo até à data: a actual cheia histórica do Mississipi. Fonte: Bloomberg , 13/05/2011

(13) Fonte: New York Times , 12/05/2011

(14) Fonte: Sidley , 28/02/2011

(15) E pode-se compreende-los. Com efeito, quando se ouve Timothy Geithner, o ministro americano das Finanças, martelar que os Estados Unidos jamais tentarão desvalorizar o dólar para ganhar uma vantagem competitiva, parece que sonhamos. Todo o mundo o escuta polidamente, considera todas as outras razões (a começar pela dívida) pelas quais os Estados Unidos estão de facto empenhados nesta desvalorização e, consequentemente, compra ouro ou diversifica suas reservas fora do dólar. Assim, os bancos centrais da Rússia, do México, da Tailândia, continuam a comprar ouro. E Hong Kong (portanto a China) lança um ataque directo ao monopólio do Comex Gold Futures lançando seus próprios contratos de quilo de ouro. Fonte: MarketWatch , 26/04/2011;Bloomberg , 04/05/2011; Zerohedge , 08/05/2011

(16) A China continua assim a desembaraçar-se suavemente dos seus títulos dos EUA e encara mesmo diversificar dois terços dos seus haveres denominados em dólares, ou seja, US$2000 mil milhões. Fontes: CNS , 29/04/2011; Zerohedge , 24/04/2011

(17) Com efeito, apesar das manipulações de toda espécie dos números do desemprego nos EUA, Ben Bernanke vê-se obrigado a constatar que é preciso continuar a sustentar artificialmente a economia estado-unidense. Seja o que for que ele diga, com o fim da QE2 e sem perspectiva crível de QE3, a economia estado-unidense vai se encontrar pela primeira vez desde há três anos sem estímulo importante como confirma Jeffrey Lacker, o presidente do Fed de Richmond. O segundo semestre vai portanto ser um teste directo do desempenho de uma "economia zumbi", sem força de energia externa. Fontes: Bloomberg, 05/05/2011; MarketWatch , 10/05/2011

(18) Em todo caso, não todos eles pois na Ásia estão bem encaminhadas as discussões para aumentar e reforçar rapidamente os fundos e mecanismos comuns de apoio para enfrentar um novo choque comparável àquele de Setembro de 2008. Como a Eurolândia, a Ásia se desenvencilha cada vez mais do sistema financeiro americano em que se centrava no período anterior a 2008. E para além dos acordos financeiros, é toda a região, sob o impulso da China, que está em vias de se integrar e inclusive em termos de redes de transportes. Fontes: AsahiShimbun , 06/05/2011; ChinaDaily , 30/04/2011; AsahiShimbun , 06/05/2011

(19) O Tesouro americano prepara-se igualmente para um bloqueio sobre esta questão ao passo que a mesma parece querer ser utilizada pelos republicanos até à eleição de 2012. Não há dúvida que o sistema financeiro mundial se terá pronunciado antes desta data!   Fontes: Christian Science Monitor , 10/05/2011;Washington Post , 27/04/2011

(20) E não são as pantominas mediáticas do tipo do assassinato de Ben Laden que vão mudar grande coisa nesta situação. A incrível confusão mediática que rodeou este episódio ilustra de facto que, mesmo no seu último terreno privilegiado, a comunicação, o grande know-how de Washington já não é senão a sombra do que foi. O único resultado durável da operação Ben Laden é que as "teorias do complot" doravante são debatidas em directo nos grandes media e que as incoerências das versões oficiais da história são acusadas de as alimentar.

[*] Global Europe Anticipation Bulletin

O original encontra-se em www.leap2020.eu/... . Tradução de JF. 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Bem-vindo ao mundo violento do Sr. Hopey Changey





por John Pilger

Quando a Grã-Bretanha perdeu o controle do Egipto, em 1956, o primeiro-ministro Anthony Eden disse que queria ver o presidente nacionalista Gamal Abdel Nasser "destruído... assassinado... Não me importa nada se houver anarquia e caos no Egipto". Aqueles árabes insolentes, incitou Winston Churchill em 1951,deveria ser lançados "na sarjeta da qual nunca deveriam ter saído".


A linguagem do colonialismo pode ter modificado; o espírito e a hipocrisia mantêm-se inalterados. Uma nova fase imperial está a desdobrar-se em resposta directa ao levantamento árabe que começou em Janeiro e chocou Washington e a Europa, provocando um pânico estilo Eden. A perda do tirano egípcio, Mubarak, foi dolorosa, embora não irreparável; uma contra-revolução apoiada pelos EUA está a caminho quando o regime militar no Cairo é seduzido com novos subornos e mudança do poder da rua para grupos políticos que não iniciaram a revolução. O objectivo do ocidente, como sempre, é travar a democracia autêntica e recuperar o controle.


A Líbia é a oportunidade imediata. O ataque da NATO contra a Líbia, depois de o Conselho de Segurança da ONU conceder mandato para uma falsa "zona de interdição de voo" para "proteger civis", tem uma semelhança gritante com a destruição final da Jugoslávia em 1999. Não havia cobertura da ONU para o bombardeamento da Sérvia e o "resgate" do Kosovo, ainda que a propaganda repita isso. Tal como Slobodan Milosevic, Muammar Kadafi é um "novo Hitler", a tramar "genocídio" contra o seu povo. Não há evidência disto, tal como não havia genocídio no Kosovo. Na Líbia há uma guerra civil tribal; e o levantamento armado contra Kadafi foi há muito apropriado pelos americanos, franceses e britânicos, seu aviões a atacam residências em Tripoli com mísseis revestido de urânio e o submarino HMS Triumph dispara mísseis Tomahawk, uma repetição do "pavor e choque" no Iraque que deixou milhares de civis mortos e aleijados. Como no Iraque, as vítimas, as quais incluem incontáveis conscritos do exército líbio que foram incinerados, não são povo para os media.


No Leste "rebelde", a intimidação e matança de imigrantes negros africanos não é notícia. Em 22 de Maio, uma peça rara no Washington Post descrevia a repressão, a ilegalidade e os esquadrões da morte nas "zonas libertadas" assim como a visitante Catherine Ashton, chefe da política externa da UE, declarava ter encontrado só "grandes aspirações" e "qualidades de liderança". Demonstrando tais qualidades, Mustafa Abdel Jalil, o "líder rebelde" e antigo ministro da Justiça de Kadafi até Fevereiro, prometia: "Nossos amigos... terão a melhor oportunidade em futuros contratos com a Líbia". A região Leste possui a maior parte do petróleo da Líbia, as maiores reservas da África. Em Março os rebeldes, com orientação de peritos estrangeiros, "transferiram" para Benghazi o Banco Central Líbio, uma instituição integralmente do Estado. Isto é sem precedentes. Enquanto isso, os EUA e a UE "congelaram" quase US$100 mil milhões em fundos líbios, "a maior soma alguma vez já bloqueada", segundo declarações oficiais. É o maior roubo bancário da história.


A elite francesa é entusiástica quanto a ladrões e bombardeamentos. O desígnio imperial de Nicholas Sarkozy é de uma União Mediterrânea (UM) dominada pela França, a qual lhe permitiria retornar às suas antigas colónias no Norte de África e lucrar com investimento privilegiado e trabalho barato. Kadafi descreveu o plano de Sarkozy como "um insulto" que estava a "tratar-nos como loucos". O governo Merkel em Berlim concordou, temendo que o seu antigo inimigo reduzisse a Alemanha na UE, e absteve-se na votação sobre a Líbia no Conselho de Segurança.


Tal como o ataque à Jugoslávia e a farsa do julgamento de Milosevic, o Tribunal Penal Internacional está a ser utilizado pelos EUA, França e Grã-Bretanha para processar Kadafi enquanto as suas reiteradas ofertas de um cessar-fogo são ignoradas. Kadafi é um Mau Árabe. O governo de David Cameron e os seus prolixos generais de topo querem eliminar este Mau Árabe, assim como a administração Obama matou recentemente um Mau Árabe famoso. O príncipe coroado do Bahrain, por outro lado, é um Bom Árabe. Em 19 de Maio foi calorosamente saudado na Grã-Bretanha por Cameron com uma foto nos degraus da Downing Street 10. Em Março, este mesmo príncipe coroado chacinou manifestantes desarmados e permitiu que forças sauditas esmagassem o movimento pela democracia no seu país. A administração Obama concedeu um prémio à Arábia Saudita, um dos mais repressivos regimes da terra, com um acordo de US$60 mil milhões para armamentos, o maior da história dos EUA. Os sauditas têm a maior parte do petróleo. Eles são os Melhores Árabes.


O assalto à Líbia, um crime sob os padrões de Nuremberg, é a 46ª "intervenção" militar britânica no Médio Oriente desde 1945. Tal como seus parceiros imperiais, o objectivo britânico é controlar o petróleo da África. Cameron não é Anthony Eden, mas quase. A mesma escola. Os mesmos valores. No pacote feito pelos media, as palavras colonialismo e imperialismo já não são usadas, de modo que os cínicos e crédulos podem celebrar a violência do estado na sua forma mais palatável.


E tal como o Sr. Mudancinha Esperançosinha ("Mr. Hopey Changey" foi a alcunha que Ted Rall, o grande cartoonista americano, atribuiu a Barack Obama), é bajulado pela elite britânica e lança mais uma insuportável campanha presidencial, o reino anglo-americano de terror prossegue no Afeganistão e alhures, com o assassínio de pessoas por aviões sem piloto – uma inovação EUA/Israel, abraçada por Obama. Para registo, numa contagem de miséria imposta, desde julgamentos e prisões secretas até a perseguição de quem revela segredos, a criminalização de dissidentes e o encarceramento e empobrecimento do seu próprio povo, principalmente negros, Obama é tão mau quanto George W. Bush.


Os palestinos entendem tudo isto. Como os seus jovens enfrentam corajosamente a violência do racismo sangrento de Israel, carregando as chaves dos lares roubados aos seu avós, eles não são sequer incluídos na lista feita pelo Sr. Mudancinha Esperançosinha dos povos no Médio Oriente cuja libertação retarda-se desde há muito. O que os oprimidos precisam, disse ele em 19 de Maio, é uma dose de "interesses da América [que] são essenciais para eles". Ele insulta a todos nós. 

O original encontra-se em www.johnpilger.com/articles/welcome-to-the-violent-world-of-mr-hopey-changey 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .